Aspectos religiosos, éticos e ecológicos da morte em várias culturas. Reverdere ad locum tuum: retorna ao teu lugar!

  • Sandra Morais Ribeiro dos Santos Centro Universit
  • Alessandra Martins de Brito Centro Universitário Internacional Uninter

Resumo

O presente artigo tem como objetivo refletir e demonstrar as similaridades encontradas nas religiões que cultivam a ancestralidade e, em função de sua concepção de vida, o destino que é dado aos mortos em seus rituais fúnebres. Não há necessidade de o ser humano participar ou comungar de um núcleo religioso para ser inserido em dois rituais de passagem na sua existência: o nascimento e a morte. Tendo como base uma abordagem sem tendências religiosas, o propósito é analisar como um ritual repleto de dor pela separação de um ente querido — nas culturas religiosas que farão parte desta pesquisa —, consegue amenizar o luto e até mesmo proporcionar bálsamo a quem fica. Através de pesquisa bibliográfica, pretende-se identificar a presença destes ritos e rituais em culturas diversas e que têm sido temas de discussões e debates filosóficos e religiosos através dos tempos.

Palavras-chave: campo santo; ritos; rituais; vida; post-mortem.

Abstract

This article aims to reflect and demonstrate the similarities found in religions that cultivate ancestry and, due to their conception of life, the fate that is given to the dead in their funeral rituals. There is no need for human beings to participate or share in a religious nucleus to be included in two rites of passage in their existence: birth and death. Based on an approach without religious tendencies, the purpose is to analyze how a ritual full of pain for the separation of a loved one — in the religious cultures that will be part of this research —, manages to ease the mourning and even provide balm to those who stay. Through bibliographical research, it is intended to identify the presence of these rites and rituals in different cultures and that have been themes of discussions and philosophical and religious debates over time.

Keywords: campo santo; rites; rituals; life; post-mortem.

Resumen

El presente artículo tiene el objetivo de reflexionar y demostrar las similitudes encontradas en religiones que cultivan la ancestralidad y, a partir de su concepción de vida, el destino que se les da a los muertos en sus rituales fúnebres. No es necesario que un ser humano participe o comulgue con un grupo religioso para que sea incluido en dos ritos de pasaje en su existencia: el nacimiento y la muerte. Sin asumir una tendencia religiosa específica, el propósito es analizar de qué forma un ritual pleno de dolor por la separación de un ente querido — en las culturas que integran esta investigación —, logra amenizar el luto y ofrecerle consuelo a quienes se quedan. Por medio de investigación bibliográfica, se pretende identificar la presencia de ritos y rituales en culturas diversas, los cuales han sido objeto de discusión y debates filosóficos y religiosos a lo largo del tiempo.

Palabras-clave: camposanto; ritos; rituales; vida; post-mortem.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Sandra Morais Ribeiro dos Santos, Centro Universit

Doutoranda e Mestre em Teologia, Especialista em História das Religiões e Docência em EAD, Teóloga e Pedagoga, professora da área de Humanidades do Centro Universitário Internacional UNINTER.

Alessandra Martins de Brito, Centro Universitário Internacional Uninter

Graduada em Licenciatura em Ciências da Religião pelo Centro Universitário Internacional Uninter.

Referências

ARIÈS, Philippe. O homem diante da morte. 1. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2014.

BÍBLIA. A Bíblia Sagrada: Edição Corrigida e Revisada. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2007.

BÍBLIA. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Ed. Paulus, 2017.

BÍBLIA. Bíblia Judaica Completa. São Paulo: Editora Vida, 2010.

BRASIL. Caderno de pesquisa em engenharia e saúde pública. Brasília: Funasa, 2004. Disponível em: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/arquitetura/Mnl_CaderPesq.pdf. Acesso em: 01 ago. 2020.

BRASIL. Cemitérios como fonte potencial de contaminação das águas subterrâneas. Brasília: Funasa, 2007. Disponível em: http://www.funasa.gov.br/documents/20182/39040/Cemiterios+como+fonte+potencial+de+contaminacao+MT.pdf/a824bad5-7e25-49f5-bf85-3c3f9eea570d. Acesso em: 01 ago. 2020.

CAMPBELL, Joseph (org.). Mitos, sonhos e religião nas artes, na filosofia e na vida contemporânea. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

CAMPOS, Ana Paula Silva. Avaliação do potencial de poluição do solo e nas águas subterrâneas decorrente da atividade cemiterial. 2007. 141 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Ambiental) - Programa de Pós-graduação em Saúde Pública, Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, 2007.

CARNEIRO, Victor Santos. Impactos causados por necrochorume de cemitérios: meio ambiente e saúde pública. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE SUBTERRÁNEO, 1., 2009, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: ABAS, 2009.

CARVALHO, Leonardo Augusto de Paula Freitas Barbosa de. Necrochorume: aspectos da mobilidade e da mitigação dos impactos. 2013. 43 f. Monografia (Engenharia Ambiental) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2013. Disponível em: https://www.ufjf.br/engsanitariaeambiental/files/2019/05/TFC_LEONARDO_necrochorume-CORRIGIDO.pdf. Acesso em: 14 ago. 2020.

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO, promulgado por João Paulo II, Papa. 4. ed. Tradução de Antonio Leite. Lisboa: Editorial Apostolado da Oração, 1983.

ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

ELIAS, Norbert. A solidão dos moribundos. Rio de Janeiro: Zahar,1982.

FILHO, Walter Malagutti; SILVA, Robson Wilians da Costa. Cemitérios como áreas potencialmente contaminadas. Revista Brasileira de Ciências Ambientais, São Paulo, n. 9, p. 26-35, 2008.

GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. Tradução de Isa Mara Lando. São Paulo: Cia das Letras, 2000.

GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é ciência da religião? Tradução de Frank Usarski. São Paulo: Paulinas, 2005.

KERÉNYI, Karl. A mitologia dos gregos. A história dos deuses e dos homens. São Paulo: Vozes, 2015. v. 1, p. 72.

MATIAS, Keidy Narelly Costa. Cartografias do Além: o mundo dos vivos e o universo dos mortos no Antigo Egito. Orientadora: Marcia Severina Vasques. 2016. 200 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/22440/1/KeidyNarellyCostaMatias_DISSERT.pdf. Acesso em: 12 ago. 2020.

¬¬¬ MATIAS, Keidy Narelly Costa. Cartografias do Além: a sociedade dos vivos e a sociedade dos mortos do Antigo Egito. Alétheia - Revista de Estudos sobre Antiguidade e Medievo, Jaguarão – SP, v. 10, n. 1, p. 51-59, 2015.

MARCHADOUR, Alain. Morte e vida na Bíblia. São Paulo: Ed. Paulinas, 1984.

MIKSIC, Beatriz Fonseca. Questões sobre a morte e o morrer entre os egípcios e os hindus: conservação ou destruição do corpo? 2012. 121 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwig3dWi6IvrAhVcLLkGHTOxB0wQFjAEegQIBhAB&url=https%3A%2F%2Ftede2.pucsp.br%2Fbitstream%2Fhandle%2F3404%2F1%2FBeatriz%2520Fonseca%2520Micsik.pdf&usg=AOvVaw37WU8aPCz4CnHqeIu9m1Cw. Acesso em: 08 ago. 2020.

MIGLIORINI, R. B. Cemitérios contaminam o meio ambiente? Um estudo de caso. Cuiabá: Editora da UFMT, 2002.

PRIEST, John. Mito e sonho na escritura hebraica In: CAMPBELL, Joseph (org.). Mitos, sonhos e religião nas artes, na filosofia e na vida contemporânea. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

RODRIGUES, Claudia. Lugares dos mortos na cidade dos vivos: tradições e transformações fúnebres no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Coleção Biblioteca Carioca, 1995.

WENTZ, Evans (org.). O livro tibetano dos mortos. São Paulo: Pensamento Cultrix, 2020.

WILKEN, Irmã Isabel Sampaio. O dilúvio no poema de Gilgamesh. Revista de História, São Paulo, v. 34, p. 15-40, 1967.

Publicado
2021-11-05