A afetividade como fator de influência na alfabetização de crianças de 4 a 6 anos

  • Karine Alessandra Beraldo Kuligowski Centro Universitário Internacional - UNINTER
  • Carlos Alexandre Castro Pereira Centro Universitário Internacional - UNINTER
  • Kellin Cristina Melchior Inocêncio Centro Universitário Internacional - UNINTER

Resumo

A pesquisa A afetividade como fator de influência na alfabetização de crianças de 4 a 6 anos demonstra que o afeto está presente desde as primeiras manifestações da existência humana até a vida adulta e que, diretamente, contribui para a construção das relações em diferentes cenários, como a família e a escola. Assim, articulamos esse estudo à sociedade contemporânea capitalista e à ausência do afeto familiar justificada pelas relações de trabalho, condição que transfere, mesmo que indiretamente, à escola e aos professores a responsabilidade do afeto no desenvolvimento da criança. Além dessa condição, acrescentamos a relevância do afeto construído na escola, sobretudo para a alfabetização da criança de 4 a 6 anos. Os objetivos da pesquisa se concentram em: a) estabelecer relação entre a afetividade e o sucesso de uma alfabetização construtivista, enfatizando na percepção dos educadores sobre a afetividade na aprendizagem; e b) identificar características afetivas nas práticas docentes, bem como a consciência da sua importância nas relações estabelecidas no processo educativo. Os teóricos Piaget (1973), Wallon (1985) Ferreiro e Teberosky (1999) e Soares (2016) trouxeram contribuições relevantes para este estudo, de natureza qualitativa bibliográfica. Como resultados, acreditamos em uma educação voltada às crianças pequenas, que se articule à família e que busque minimizar os efeitos da ausência de afeto no desenvolvimento e, sobretudo, na aprendizagem alfabetizadora. É possível destacar que a pesquisa demonstra a relevância da afetividade para o desenvolvimento biopsicossocial das crianças e a necessidade de a sociedade reorganizar-se em prol do desenvolvimento infantil. 

Palavras-chave: afetividade; alfabetização; educação infantil. 

Abstract  

The research Affectivity as an influence factor in the literacy of children from 4 to 6 years old demonstrates that affection is present from the first manifestations of human existence to adulthood and that, directly, contributes to the construction of relationships in different scenarios, such as family and school. Thus, we articulate this study to the contemporary capitalist society and the absence of family affection justified by labor relations, a condition that transfers, even indirectly, to the school and teachers the responsibility of affection in a child’s development. In addition to this condition, we add the relevance of affection built at school, especially for the literacy of children from 4 to 6 years old. The research objectives focus on: a) establishing a relationship between affectivity and the success of constructivist literacy, emphasizing the perception of educators about affectivity in learning; and b) identifying affective characteristics in teaching practices, as well as the awareness of their importance in the relationships established in the educational process. Theorists Piaget (1973), Wallon (1985) Ferreiro and Teberosky (1999), and Soares (2016) brought relevant contributions to this study, of qualitative bibliographic nature. As a result, we believe in an education aimed at young children, that is articulated with the family and that seeks to minimize the effects of the absence of affection on development and, above all, on literacy learning. It is possible to highlight that the research demonstrates the relevance of affectivity for the biopsychosocial development of children and the need for society to reorganize itself in favor of child development. 

Keywords: affectivity; literacy; early childhood education. 

Resumen 

La investigación La afectividad como factor de influencia en la alfabetización de niños de 4 a 6 años demuestra que el afecto está presente desde las primeras manifestaciones de la existencia humana hasta la vida adulta y que, directamente, contribuye para la construcción de las relaciones en diferentes escenarios, como la familia y la escuela. De esa manera, asociamos este estudio a la sociedad capitalista contemporánea y a la ausencia de afecto familiar justificada por las relaciones de trabajo, condición que transfiere, aunque indirectamente, a la escuela y a los maestros la responsabilidad del afecto en el desarrollo del niño. Además de esa condición, agregamos la relevancia del afecto construido en la escuela, sobre todo para la alfabetización del niño de 4 a 6 años. Los objetivos de la investigación se concentran en: a) establecer relación entre la afectividad y el éxito de una alfabetización constructivista, con énfasis en la percepción de los educadores sobre la afectividad en el aprendizaje; y b) identificar características afectivas en las prácticas docentes, así como la consciencia de su importancia en las relaciones que se establecen en el proceso educativo. Los teóricos Piaget (1973), Wallon (1985) Ferreiro y Teberosky (1999) y Soares (2016) hacen aportes relevantes para este estudio, de naturaleza cualitativa bibliográfica. Como resultados, creemos en una educación dirigida a los niños pequeños, que se articule a la familia y que trate de minimizar los efectos de la ausencia de afecto en el desarrollo y, sobre todo, en la educación alfabetizadora. Es posible destacar que la investigación demuestra la relevancia de la afectividad en el desarrollo biopsicosocial de los niños y la necesidad de que la sociedad se reorganice en beneficio del desarrollo infantil. 

Palabras-clave: afectividad; alfabetización; educación infantil. 

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Biografia do Autor

Kellin Cristina Melchior Inocêncio, Centro Universitário Internacional - UNINTER

Doutora em Educação. Professora no Centro Universitário Internacional UNINTER

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Publicado
2022-05-20